sábado, 6 de março de 2010

O amigo que se foi

Essa semana perdemos um grande companheiro, fiel, brincalhão, guloso e o principal, nos amava muito.
Eu pensei em escrever algo, mas achei tão bonito o texto que meu pai escreveu para ele, que decidi passá-lo pra cá, esse texto já diz tudo o que eu queria.

A madrugada do dia 3 para o dia 4 de fevereiro de 2010 passou lentamente foi de fato diferente a expectativa do amanhecer retardava o passar das horas, pois logo pela manhã precisava fazer algo muito importante e urgente que era levar meu amigo ao médico. A alguns dias havia notado uma certa indisposição de sua parte para se alimentar e fazer o que mais gostava, me dar atenção. Falo de atenção mesmo, daquelas que só um grande amigo é capaz de nos dar. Nossa amizade refletia o verdadeiro e puro amor incondicional, desinteressado, fiel... O que Paulo Coelho define como Ágape. Que é a expressão mais pura do amor.

Acordei ainda não eram cinco horas da manhã, se é que dormir de verdade, imediatamente fui ao seu encontro para ver como atravessou a noite e convencê-lo a ir ao médico. Chegando ao seu local favorito notei que ainda estava deitado em sono profundo, pois me anunciei e ele ao contrário de sempre não comemorou minha chegada. Fui até ele e chamei mais próximo, até disse: Acorda preguiçoso vamos ao médico. E nada. Nesse instante como um relâmpago, veio em minha mente a sensação fria e vazia do desencontro. E logo a certeza de que havia chegado atrasado que o que encontrara deitado ali era apenas suas vestes terrena, constatei que seu fluido vital que carregava toda a sua energia, alegria, vivacidade e amor havia partido numa viagem a qual ele deveria fazer sozinho.

O dia inexoravelmente foi passando as providencias foram mecanicamente sendo tomadas as horas foram, a exemplo da noite anterior, se arrastando lentamente. Vez por outra vou ao seu encontro com a expectativa talvez de encontrá-lo. E ao chegar na frente de sua casa me deparo com a verdade: ele se foi. Se foi, mas deixou as lembranças de momentos inesquecíveis de sensações vividas que nos faz crer que só o amor é eterno. Sim ele se foi, mas tenho a certeza que nos reencontraremos em algum lugar um dia.

Nós também te amavamos muito Duducho, vá em paz.

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